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DISTRIBUÍDO NOS BAIRROS: S A N TA C Â N D I D A , B O A V I S TA , B A C A C H E R I , T I N G U I , AT U B A , A H Ú , C A B R A L , J U V E V Ê E C A C H O E I R A
DISTRIBUÍDO NOS BAIRROS: S A N TA C Â N D I D A , B O A V I S TA , B A C A C H E R I , T I N G U I , AT U B A , A H Ú , C A B R A L , J U V E V Ê E C A C H O E I R A
EDIÇÃO 276
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do Santa Cândida
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O J O R N A L Q U E T E M O Q U E FA L A R
HOMEMDE69ANOSCAMINHA
DIARIAMENTEPELODESERTO
CARREGANDO12GARRAFASDE
ÁGUAPARAALIVIARA
SEDEDEANIMAIS
Página 4
MILTON HATOUM, UM DOS
MAIORES ESCRITORES VIVOS DO
BRASIL
Página 2
CIÊNCIA MOSTRA
QUE BATE-BOCA
COM LULISTAS OU
BOLSONARISTAS É
PERDA DE TEMPO
MORADORESDAVILA
DOMITILARECORREM
ÀOEAPORMORADIA
PROFESSOR DA UFPR
É LISTADO COMO
UM DOS MAIORES
CIENTISTAS DO
MUNDO
Página 4
Página 2
MARIANGELA
HUNGRIA RECEBERÁ
O PRÊMIO MUNDIAL
DA ALIMENTAÇÃO
Página 3 Página 6
NOVO "PARQUE ESPONJA"
NOVO "PARQUE ESPONJA"
VAI REDUZIR ALAGAMENTO E
VAI REDUZIR ALAGAMENTO E
AUMENTAR A QUALIDADE DE
AUMENTAR A QUALIDADE DE
VIDA NA REGIÃO NORTE
VIDA NA REGIÃO NORTE
DE CURITIBA
DE CURITIBA
NÓDULO NÃO É O ÚNICO SINTOMA
NÓDULO NÃO É O ÚNICO SINTOMA
DO CÂNCER DE MAMA: MÉDICA
DO CÂNCER DE MAMA: MÉDICA
EXPLICA SOBRE DETECÇÃO
EXPLICA SOBRE DETECÇÃO
PRECOCE DA DOENÇA
PRECOCE DA DOENÇA
Página 5 Página 5
A uberização das relações de trabalho é o termo que
se utiliza para definir a crescente inserção de tra-
balhadores em plataformas digitais de serviços. E car-
acteriza-se por um modelo de vínculo empregatício
fragmentado, desprovido de garantias tradicionais
de proteção social, como seguro-desemprego, férias
remuneradas e fundo de garantia. Esse fenômeno
ganhou força com as reformas trabalhistas introduz-
idas pela Lei n. 13.467/2017, que flexibilizou ainda
mais as relações entre empregadores e empregados.
Poucomaisde60%dostrabalhadoresdeaplicativosnão
desejamvínculosformais,segundopesquisadoDatafol-
ha, encomendada pela Uber. Ainda assim, seis em cada
dez aceitariam um emprego com carteira assinada se o
salário fosse equivalente a quatro mínimos (R$ 6.072).
A percepção desses trabalhadores acompanha uma
tendência confirmada pelos números: o total de
pessoas que vive do trabalho por aplicativos cres-
ceu 25,4% entre 2022 e 2024, segundo o IBGE.
Em 2024, cerca de 1,7 milhão de brasileiros us-
aram plataformas digitais para trabalhar, mais de
335 mil novos trabalhadores em apenas dois anos.
A expansão foi puxada pelos aplicativos de trans-
porte de passageiros, que concentram 58% dos tra-
balhadores plataformizados. Em seguida vêm os
entregadores de comida, que somam 29% do total.
O crescimento, no entanto, é marcado por alta infor-
malidade: 71% dos trabalhadores de aplicativos não
têm vínculo formal, índice bem superior aos 43,8%
ALTA INFORMALIDADE, SEM VÍNCULO FORMAL,
A UBERIZAÇÃO DO SER
do restante da população ocupada. O aumento tam-
bém vem acompanhado de baixa autonomia, já que
as plataformas definem o valor pago pelos serviços, e
de jornadas mais longas: trabalhadores de aplicativos
cumprem, em média, 44,8 horas semanais, contra 39,3
horas entre os demais.
Quer saber mais sobre o tema?
Assista ao documentário GIG – A Uberização do
Trabalho, da Repórter Brasil, que aprofunda o debate
sobre esse modelo de trabalho:
https://bit.ly/GIGnoYouTube
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AS MATÉRIAS ASSINADAS NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO JORNAL
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Colaborador: José Cândido (In memoriam)
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Foto: Gibran Mendes
CIÊNCIA MOSTRA QUE BATE-BOCA COM LULISTAS OU BOLSONARISTAS
É PERDA DETEMPO
Toda discussão se reduz a dar ao adversário a cor de
um tolo ou a figura de um canalha.Paul Valéry
Ao ouvir os últimos discursos de Lula e de Bolsona-
ro, temos a impressão de que a campanha ainda não
terminou. Parece que continuam no palanque como se
estivessem ainda em busca do voto dos eleitores. São
críticas de lado a lado para mostrar os próprios méritos
e desqualificar o oponente.
Se a briga está nesse nível agora, com o retorno em
breve de Bolsonaro, aí é que teremos mais lenha nessa
fogueira. Lembrando que os dois oponentes deverão
entrar com todo empenho nas campanhas municipais
que estão cada vez mais próximas.
Não vale a pena
E você, vai participar dessa contenda? O interesse pela
política é saudável e até necessário. Afinal, tudo o que
acontece na nossa vida tem relação direta ou indireta
com as decisões políticas. Portanto, quem não se en-
volve pode estar deixando nas mãos de outros questões
que influenciarão seu futuro.
Por outro lado, será que vale a pena ficar batendo boca
sobre esse tema com amigos e familiares? Você já ten-
tou convencer um petista ou um bolsonarista a mudar
de opinião? Esse é um desafio praticamente impossível.
Audição seletiva
Ainda que um político seja apanhado em falcatruas,
ou apareçam evidências sobradas de sua má conduta,
seus seguidores irão sempre buscar algum tipo de ex-
plicação para o seu comportamento. Agirão como se
fossem advogados de defesa, que identificam e ressal-
tam apenas qualidades em seus clientes.
Em situações como essas, a "audição seletiva" irá im-
perar de maneira ainda mais contundente. Quase sem-
pre, aceitamos as informações que nos interessam e
favorecem as nossas causas, e rechaçamos aquelas que
entendemos ser contrárias aos nossos desejos.
Pesquisa
Uma pesquisa realizada com 152 alunos da Universi-
dade Estadual de Ohio apresentou conclusão bastante
curiosa. Nesse estudo, que teve como título "Mecanis-
mos de retenção da imagem sob forma de percepção,
memória e distorção seletiva", Hans Sebald comprova
a existência da "audição seletiva".
Os alunos assistiram aos debates realizados em 1960
entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos,
Jonh Kennedy e Richard Nixon. O objetivo era desco-
brir o que eles pensavam dos candidatos antes e depois
dos debates.
Não mudaram
Os pesquisados deixaram clara a existência de uma
percepção e memórias seletivas. Demonstraram tam-
bém uma distorção seletiva. Isto é, os alunos ouviram o
que desejavam, com base em suas opiniões e condutas
anteriores. Os argumentos utilizados por um ou outro
candidato não alteraram a maneira de pensar de cada
um.
Portanto, discutir política ou futebol imaginando que
terá chances de alterar a maneira de pensar do outro
poderá ser apenas perda de tempo. Sem contar, como
tem acontecido ultimamente com frequência, que esses
embates acabam por criar desavenças até insuperáveis.
Cérebro e crença
Outro estudo que ajuda a explicar esse fenômeno foi
apresentado no livro "Cérebro e Crença", de Michael
Shermer. Diz o autor:
Uma vez formadas as crenças, o cérebro começa a
procurar e encontra evidências que as confirmem, o
que aumenta a confiança emocional e acelera o proces-
so de reforço dessas crenças.
Para o autor, até os cientistas, que deveriam sustentar
suas teses apenas nos métodos científicos, como tam-
bém são seres humanos, estão sujeitos aos caprichos da
emoção e à influência dos desvios cognitivos quando
moldam e reforçam suas crenças.
Contra moinhos
É comum ouvirmos comentários indignados a respeito
de posições políticas de determinada pessoa: como
pode alguém tão inteligente e bem-preparado não
enxergar os erros evidentes no político ou no partido
que defende?!
Não adianta. Salvo uma ou outra exceção que serve até
para confirmar a regra, depois de a pessoa ser tomada
por uma crença, a tendência é que continue com ela,
tentando defendê-la por todos os meios de que dispus-
er.
Assim sendo, vale a pena refletir bem antes de empun-
har a lança e sair por aí destruindo moinhos. Há lutas,
como as travadas com aqueles que nos são caros, que
acabam por transformar vitórias em verdadeiras der-
rotas.
Superdicas da semanaHá lutas que não valem a pena
ser lutadas
Há vitórias que terminam com sabor de derrota
Não se convence quem está disposto a não ser conven-
cido
A linha que separa o argumento da ofensa nem sempre
é clara
Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre
esse tema: "Como Falar Corretamente e sem Inibições",
"Saiba dizer não", "Comunicação a distância", "Os
segredos da boa comunicação no mundo corporativo"
e "Oratória para advogados", publicados pela Edito-
ra Saraiva. "29 Minutos para Falar Bem em Público",
publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes
religiosos", publicado pela Editora Planeta.
Legenda: Dom Quixote e Sancho Pança
Reinaldo Polito
Colunista do UOL
O escritor Milton Hatoum
O lançamento do livro “Dança de enganos” coloca no-
vamente os holofotes sobre Milton Hatoum, um dos
autores mais importantes e premiados da literatura
brasileira contemporânea. Nascido em Manaus, Ama-
zonas, em 1952, Hatoum construiu uma obra marcada
por dramas familiares intensos, pela força da memória
e pelas paisagens amazônicas que servem de palco para
suas narrativas.
Descendente de libaneses, o escritor explora com mae-
stria as complexidades das relações humanas, muitas
vezes entrelaçadas com as tensões sociais e políticas
do Brasil. Sua estreia na literatura ocorreu em 1989
com “Relato de um Certo Oriente”, romance que lhe
rendeu o Prêmio Jabuti, a principal premiação literária
do país. Desde então, sua trajetória é uma sucessão de
obras aclamadas.
O grande reconhecimento do público veio com “Dois
Irmãos”, publicado em 2000. A saga dos gêmeos Yaqub
e Omar, que narra um conflito familiar devastador em
Manaus, tornou-se um fenômeno editorial e foi adap-
tada para uma minissérie de grande sucesso na tele-
Conheça a trajetória do autor de‘Relato de um Certo Oriente’e‘Dois Irmãos’, aclamado pela crítica e premiado dentro e fora do país
MILTONHATOUM,UMDOSMAIORESESCRITORESVIVOSDOBRASIL
visão. Outros títulos como “Cinzas do Norte”, também
vencedor do Jabuti, consolidaram seu prestígio.
Em agosto de 2025, Hatoum foi eleito para a Academia
Brasileira de Letras, para suceder o jornalista Cícero
Sandroni na cadeira de número 6. Ele também era co-
tado para o prêmio Nobel de Literatura, que acabou
ficando com o húngaro László Krasznahorkai, autor de
“Sátántangó”. As bolsas de aposta também apontavam
que Hatoum tinha as mesmas chances que a chilena
Isabel Allende, a japonesa Yoko Tawada, o sul-coreano
Ko Un e a dinamarquesa Helle Helle ao prêmio.
A escrita de Hatoum é conhecida pelo lirismo e pela
precisão. Ele utiliza narrativas fragmentadas e múlti-
plas vozes para construir tramas que revisitam o pas-
sado e suas consequências no presente. Seus livros já
foram traduzidos para mais de 15 idiomas, confirman-
do seu alcance internacional.
Como começar a ler a obra de Milton Hatoum
Para quem deseja mergulhar no universo do autor, mas
não sabe por onde começar, a diversidade de sua obra
oferece diferentes portas de entrada.
A seguir, confira um guia rápido para escolher sua pri-
meira leitura:
Para uma imersão imediata: comece por “Dois Irmãos”.
É sua obra mais famosa e acessível. A trama envolvente
sobre a rivalidade entre dois irmãos gêmeos captura o
leitor do início ao fim e apresenta os principais temas
do autor.
Para entender a origem do estilo: escolha “Relato de
um Certo Oriente”. Seu livro de estreia já revela a es-
trutura narrativa não linear e a prosa poética que se
tornariam suas marcas registradas. É uma leitura que
exige mais atenção, mas é extremamente recompensa-
dora.
Para quem gosta de contexto histórico: a trilogia “O
Lugar Mais Sombrio”, composta por “A noite da espe-
ra”, “Pontos de fuga” e o recém-lançado “Dança de en-
ganos”, é a pedida certa. A obra acompanha a jornada
de um jovem durante os anos da ditadura militar no
Brasil, mesclando ficção e memória.
UmaferramentadeIAfoiusadaparaauxiliarnaprodução
desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
JR João Renato Faria
Crédito: Renato Parada/Penguin Random House
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3
Outubro
2025
MARIANGELA HUNGRIA RECEBERÁ O PRÊMIO MUNDIAL DA
ALIMENTAÇÃO
A pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela
Hungria, laureada da edição de 2025 do Prê-
mio Mundial de Alimentação - World Food
Prize (WFP) - reconhecido como o “Nobel da
Agricultura”, receberá a homenagem durante a
Cerimônia de Premiação dos Laureados, em
23 de outubro, às 21h (horário de Brasília), no
Capitólio de Iowa, em Des Moines, nos Estados
Unidos. O Prêmio, concedido pela Fundação
World Food Prize, celebra o impacto positi-
vo das pesquisas da cientista brasileira e sua
contribuição ao desenvolvimento de insumos
biológicos para a agricultura brasileira. A cer-
imônia poderá ser acompanhada pelo site da
Fundação WFP.
“Estou recebendo esse Prêmio com uma
emoção incrível, mas preciso enfatizar que
não estou sozinha, porque comigo estão to-
dos aqueles que me ajudaram a construir um
futuro promissor para os biológicos no Brasil.
Esse Prêmio também pertence a colegas de
trabalho, alunos, ex-alunos, enfim, todos que
acreditaram neste sonho. E, principalmente, à
Embrapa: uma instituição pública cujo objeti-
vo é retornar à sociedade os benefícios investi-
dos. A Embrapa acreditou e investiu por quatro
décadas nas minhas pesquisas com biológicos,
mesmo no início, quando ninguém acreditava
que os biológicos atingiriam a extensão atual.
Hoje, o sonho se tornou realidade, o Brasil
desponta como liderança mundial no uso de
bioinsumos na agricultura”, comemora Mari-
angela Hungria.
Para a pesquisadora, há uma crescente deman-
da global por aumento da produção e da quali-
dade dos alimentos, mas com sustentabilidade,
o que significa reduzir a poluição do solo e da
água e diminuir as emissões de gases de efeito
estufa. De acordo com Mariangela, o desen-
volvimento sustentável na agricultura deve se
alinhar com novos conceitos, enfatizando a
"Saúde Única" (One Health), a "Governança
Ambiental, Social e Corporativa (ESG)" e a
nova visão de agricultura regenerativa. “Essa
abordagem busca produzir mais com menos
— menos insumos, menos água, menos terra,
menos esforço humano e menor impacto am-
biental”, afirma.
Para o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre
Nepomuceno, é uma grande honra a pesqui-
sadora Mariangela Hungria, uma das maiores
cientistas da área agrícola do mundo, compor
a equipe de pesquisa da Embrapa Soja. “É um
privilégio contar com a expertise da Mariange-
la. E, principalmente, em uma área em que o
Brasil é líder mundial em seu uso: a adoção
dos bioinsumos vem crescendo ano a ano na
agricultura mundial, aproveitando a biodiver-
sidade, reduzindo custos e as emissões de gases
efeito estufa. São novas tecnologias que inovam
no campo e colocam o Brasil como referência
em sustentabilidade agrícola. Premiar a Mar-
iangela com o WFP é um reconhecimento
merecido à trajetória de excelência dessa cien-
tista que é um orgulho para a Embrapa e para
todo o Brasil”, comemora.
“Ver uma mulher, pesquisadora da Embra-
pa, ser reconhecida com o Prêmio Mundi-
al da Alimentação é motivo de grande or-
gulho para todos nós e reforça o papel da
ciência brasileira na construção de uma ag-
ricultura mais sustentável. A trajetória da
doutora Mariangela Hungria expressa o com-
promisso da pesquisa pública com a inovação
e o avanço do conhecimento em benefício
da sociedade. Que esse reconhecimento sir-
va de inspiração para que outras mulheres
sigam seus sonhos e encontrem na ciência
um caminho de transformação", comemo-
ra a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá.
Contribuições à produção agrícola
Há mais de 40 anos, Mariangela desenvolve in-
ovações na área de microbiologia do solo, o que
resultou no lançamento de mais de 30 tecnolo-
gias. O foco das suas pesquisas tem sido no au-
mento da produção e na qualidade de alimen-
tos por meio da substituição, total ou parcial,
de fertilizantes químicos por microrganismos
portadores de propriedades como a fixação
biológica de nitrogênio (FBN), a síntese de
fitormônios e a solubilização de fosfatos e ro-
chas potássicas. “Obtive resultados inovadores
ao provar que, ao contrário de relatos dos EUA,
Austrália e Europa, a inoculação anual da soja
com Bradyrhizobium aumenta, em média, 8%
a produção de grãos de soja. Ainda mais rele-
vante, altos rendimentos são conseguidos sem
nenhuma aplicação de fertilizante nitrogenado
e a confirmação desses benefícios pelo agricul-
tor está na adoção dessa prática, 85% de toda a
área cultivada com soja”, comenta.
Outra tecnologia lançada pela pesquisadora
foi a da coinoculação da soja, unindo bactérias
fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) e
bactérias promotoras de crescimento de plan-
tas (Azospirillum brasilense). Em pouco mais
de dez anos, a coinoculação já é adotada em
aproximadamente 35% da área total cultivada
de soja. Reunindo os benefícios da inoculação
e da coinoculação da soja, somente em 2024, a
economia estimada, ao dispensar o uso de fer-
tilizantes nitrogenados, foi estimada em 25 bil-
hões de dólares. “Além do benefício econômi-
co, o uso dessas bactérias ajudou a mitigar, em
2024, a emissão de mais de 230 milhões de ton-
eladas de CO₂ equivalentes para a atmosfera”,
comemora.
Associado aos trabalhos com soja, a pesqui-
sadora também coordena pesquisas que
culminaram com o lançamento de outras
tecnologias: autorização/recomendação de
bactérias (rizóbios) e coinoculação para a
cultura do feijoeiro, Azospirillum brasilense
para as culturas do milho e do trigo e de past-
agens com braquiárias. Ainda em relação às
gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisa-
dora lançou uma tecnologia que permite a
redução de 25% na fertilização nitrogenada
de cobertura em milho por meio da inocu-
lação com A. brasilense, gerando benefícios
econômicos significativos para os agricultores
e impactos ambientais positivos para o país.
Sobre o Prêmio Mundial da Alimentação
(WFP)
A Fundação World Food Prize, que concede o
Prêmio Mundial da Alimentação (WFP), foi
idealizada pelo agrônomo e biólogo Norman
E. Borlaug, vencedor do Prêmio Nobel da Paz,
em 1970, e também conhecido como o “pai”
da revolução verde. Concedido anualmente, o
WFP foi criado, em 1986, com o patrocínio da
General Foods Corporation, para reconhecer
as personalidades que contribuem para o apri-
moramento da qualidade e da disponibilidade
de alimentos no mundo.
Três brasileiros já foram agraciados com o
prêmio WFP. Em 2006, os agrônomos Ed-
son Lobato e Alysson Paulinelli dividiram o
prêmio com o colega estadunidense A. Col-
in McClung, pelo trabalho no desenvolvi-
mento da agricultura na região do cerrado.
Em 2011, os então presidentes Luiz Inácio
Lula da Silva, do Brasil, e John Kufuor, de
Gana, foram os escolhidos por sua atuação
no combate à fome como chefes de governo.
Trajetória profissional e reconhecimentos
Nascida em 1958, em São Paulo, e criada em
Itapetinga (SP), Mariangela conta que desde a
infância teve curiosidade por conhecer o que
envolve os aspectos relacionados à terra, à água
e ao ar. Sua busca por conhecimento e seu es-
pírito científico, a levaram a cursar Engenharia
Agronômica (Esalq/USP), mestrado em Solos
e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutora-
do em Ciência do Solo (UFRRJ). Mariangela
conta que cursou o doutorado na UFRRJ, en-
quanto realizava a tese na Embrapa, a convite
da pesquisadora Johanna Döbereiner, cientis-
ta que revolucionou a agricultura tropical ao
descobrir e aplicar a fixação biológica de ni-
trogênio (FBN) em culturas agrícolas. “A Dra.
Johanna foi a mentora mais influente da minha
carreira. Ela me ensinou a ser cientista, a de-
fender firmemente minhas ideias científicas, a
buscar financiamento e a compartilhar conhe-
cimento”, relembra
Em 1982, tornou-se pesquisadora da Embrapa:
inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Se-
ropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja
(Londrina, PR). Mariangela acumula ainda três
pós-doutorado em universidades nos Estados
Unidos e Espanha (Cornell University, Uni-
versity of California-Davis e Universidade de
Sevilla).
A cientista possui mais de 500 publicações
científicas, documentos técnicos, livros e
capítulos de livros. Também já orientou mais
de 200 alunos de graduação e pós-graduação.
Ao refletir sobre sua carreira, Mariangela co-
loca como características determinantes o tra-
balho com coerência, persistência e resiliência.
“Sempre acreditei na vida no solo, nos micror-
ganismos restaurando a fertilidade, em uma
agricultura altamente produtiva que não prej-
udica o meio ambiente. Nunca me desviei nem
um milímetro do que eu acreditava. Essa co-
erência — tanto na pesquisa quanto na minha
postura — trouxe credibilidade científica e
fortes conexões com o setor agrícola”, ressalta
a pesquisadora.
Mariangela é comendadora da Ordem Nacio-
nal do Mérito Científico e membro titular da
Academia Brasileira de Ciências, da Academia
Brasileira de Ciência Agronômica e da Aca-
demia Mundial de Ciências. É professora e ori-
entadora da pós-graduação em Microbiologia
e em Biotecnologia na Universidade Estadual
de Londrina. Atua também na Sociedade Bra-
sileira de Ciência do Solo e na Sociedade Bra-
sileira de Microbiologia.
Desde 2020 Mariangela está classificada entre
os 100 mil cientistas mais influentes no mun-
do, de acordo com o estudo da Universidade de
Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocu-
pou a primeira posição brasileira, confirmada
em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant
Science and Agronomy) e em Microbiologia,
em lista publicada pelo Research.com, um site
que oferece dados sobre contribuições científi-
cas em nível mundial.
Já recebeu várias premiações pela sustent-
abilidade em agricultura, como o Frederico
Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciên-
cias, da Frente Parlamentar Agropecuária e da
Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio
Mulheres e Ciência, promovido pelo Consel-
ho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq), em parceria com o
Ministério das Mulheres, o British Council e o
Banco de Desenvolvimento da América Latina
e Caribe.
“Ao longo da minha carreira científica, fui hon-
rada com inúmeros prêmios e reconhecimen-
tos nacionais e internacionais que eu nunca
havia sonhado. Acredito que o fator diferen-
ciador na minha carreira sempre foi uma abor-
dagem "da ciência básica à aplicada", cobrin-
do muitos tópicos, desde estudos de evolução
bacteriana até o desenvolvimento de inocu-
lantes microbianos para agricultores”, conclui.
Lebna Landgraf (MTb 2903 - PR)
Embrapa Soja
Mariangela com placas contendo bactérias fixadoras de N - Antonio Neto/arquirvo Embrapa
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4 Outubro
2025
O JORNAL QUE TEM O QUE FALAR
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No coração de uma das regiões mais áridas do plane-
ta, onde o sol queima a terra e o vento levanta poei-
ra sobre o horizonte infinito, um homem de 69 anos
realiza uma das ações mais comoventes já registradas
em tempos de crise climática. Todos os dias, sem fal-
har, Ihsan Muhsin caminha por longas distâncias sob
o calor escaldante do deserto do Curdistão iraquiano,
carregando 12 garrafas de água em suas mãos cale-
jadas. Seu objetivo é simples e grandioso ao mesmo
tempo: levar vida onde há sede.
Há mais de dois anos, Ihsan dedica suas manhãs e tar-
des a reabastecer 17 pontos de hidratação espalhados
pelo deserto — pequenos recipientes e bebedouros
improvisados que servem como refúgio para aves,
raposas, lebres e outros animais silvestres que lutam
para sobreviver à escassez de água. Em uma região
onde as temperaturas ultrapassam 50 °C no verão, seu
gesto se tornou uma forma silenciosa de resistência e
esperança.
A força de um gesto que virou símbolo
O trabalho de Ihsan começou de forma modesta,
quando percebeu que os animais estavam morrendo
de sede perto de sua aldeia. Ele começou a carre-
gar duas garrafas de água, depois quatro, até che-
gar às doze que leva hoje todos os dias. Cada rota é
cuidadosamente planejada, com pausas para encher
bebedouros e observar os animais se aproximarem
timidamente das pequenas poças que ele ajuda a criar.
“Quando vejo as aves descendo para beber ou os
pequenos animais se aproximando sem medo, sinto
que meu esforço vale a pena”, contou Ihsan em entrev-
ista à Rudaw, emissora local do Curdistão. “Eles de-
pendem de mim, e eu dependo desse propósito para
continuar.”
Com o tempo, moradores das redondezas começaram
a registrar o ritual diário do idoso, e as imagens gan-
haram repercussão internacional. Reportagens em
veículos como Al Jazeera e Reuters destacaram sua
história como um exemplo de empatia em meio à
devastação ambiental causada pela seca que atinge o
norte do Iraque há mais de uma década.
O deserto e a crise da água
O cenário onde Ihsan atua é um retrato fiel da crise
climática que afeta o Oriente Médio. Segundo a Or-
ganização das Nações Unidas (ONU), o Iraque está
entre os cinco países mais vulneráveis do mundo aos
HOMEM DE 69 ANOS CAMINHA DIARIAMENTE PELO DESERTO CARREGANDO
12 GARRAFAS DE ÁGUA PARA ALIVIAR A SEDE DE ANIMAIS
efeitos das mudanças climáticas, com desertificação
crescente, colheitas comprometidas e rios secando
rapidamente devido à redução das chuvas e à má
gestão hídrica.
A região do Curdistão, onde o idoso vive, sofre espe-
cialmente com a queda drástica no nível dos aquíferos
e com a escassez de fontes naturais. A fauna local —
composta por espécies adaptadas à vida árida, como
chacais, corujas e lebres do deserto — tem visto seu
habitat se degradar rapidamente. A ação de Ihsan,
portanto, é mais do que simbólica: ela representa um
esforço concreto para preservar o equilíbrio ecológico
local.
Reconhecimento e inspiração internacional
O gesto solitário de Ihsan chamou atenção de am-
bientalistas e instituições internacionais. Grupos de
voluntários e ONGs locais começaram a se mobilizar
para fornecer suporte logístico e garrafas de água para
ampliar o alcance do projeto.
Universidades da região também estudam formas de
instalar pontos de coleta de água da chuva e sistemas
de abastecimento simples para garantir a continui-
dade do trabalho durante o verão.
Nas redes sociais, vídeos que mostram Ihsan camin-
hando pelo deserto com as garrafas nas mãos se tor-
naram virais, acumulando milhões de visualizações.
Ele aparece quase sempre vestido de branco, sob o sol
inclemente, cercado por aves que pousam próximas
como se reconhecessem seu benfeitor. Sua imagem
passou a simbolizar a luta humana contra o colapso
ambiental, uma história de compaixão em meio ao
silêncio árido do deserto.
“Não sou herói”, disse ele em uma das entrevistas.
“Sou apenas alguém que não suporta ver os animais
sofrerem.”
Essas palavras simples ecoaram pelo mundo, tornan-
do Ihsan uma espécie de ícone anônimo da empatia
— a prova de que o impacto de uma pessoa, quando
guiada por um propósito sincero, pode ultrapassar
fronteiras.
O poder transformador da solidariedade
A história de Ihsan Muhsin não é apenas sobre bon-
dade; é um lembrete urgente de que as consequências
das mudanças climáticas atingem também os seres
mais frágeis da Terra. Seu esforço diário mostra que,
mesmo diante de uma realidade implacável, ainda há
espaço para gestos de cuidado e humanidade.
O homem que enfrenta o deserto todos os dias não
busca recompensas, fama ou reconhecimento. O que
o move é algo muito mais profundo: a consciência
de que a vida, em todas as suas formas, merece ser
preservada.
Em um mundo cada vez mais dominado pela indif-
erença, a caminhada silenciosa de um idoso de 69
anos entre as dunas do deserto tornou-se um grito de
esperança, lembrando que a verdadeira grandeza está
nos atos simples que mantêm a vida pulsando — mes-
mo onde tudo parece morrer.
Foto: Homem de 69 anos caminha diariamente pelo
deserto carregando 12 garrafas de água para aliviar a
sede de animais e inspira o mundo com seu gesto de
empatia
Aos 69 anos, homem cruza o deserto todos os dias
carregando 12 garrafas de água para salvar animais
sedentos e se torna símbolo global de compaixão e
resistência.
No coração de uma das regiões mais áridas do plane-
ta, onde o sol queima a terra e o vento levanta poei-
ra sobre o horizonte infinito, um homem de 69 anos
realiza uma das ações mais comoventes já registradas
em tempos de crise climática. Todos os dias, sem fal-
har, Ihsan Muhsin caminha por longas distâncias sob
o calor escaldante do deserto do Curdistão iraquiano,
carregando 12 garrafas de água em suas mãos cale-
jadas. Seu objetivo é simples e grandioso ao mesmo
tempo: levar vida onde há sede.
Há mais de dois anos, Ihsan dedica suas manhãs e tar-
des a reabastecer 17 pontos de hidratação espalhados
pelo deserto — pequenos recipientes e bebedouros
improvisados que servem como refúgio para aves,
raposas, lebres e outros animais silvestres que lutam
para sobreviver à escassez de água. Em uma região
onde as temperaturas ultrapassam 50 °C no verão, seu
gesto se tornou uma forma silenciosa de resistência e
esperança.
A força de um gesto que virou símbolo
O trabalho de Ihsan começou de forma modesta,
quando percebeu que os animais estavam morrendo
de sede perto de sua aldeia. Ele começou a carre-
gar duas garrafas de água, depois quatro, até che-
gar às doze que leva hoje todos os dias. Cada rota é
cuidadosamente planejada, com pausas para encher
bebedouros e observar os animais se aproximarem
timidamente das pequenas poças que ele ajuda a criar.
Escrito por Valdemar Medeiros
O professor Guilherme Francisco Frederico, do
Departamento de Administração Geral e Apli-
cada (DAGA) e do Programa de Pós-Graduação
em Gestão de Organizações, Liderança e Decisão
(PPGOLD) da Universidade Federal do Paraná
(UFPR), foi reconhecido pelo segundo ano con-
secutivo como um dos 2% melhores cientistas do
mundo, segundo a Elsevier e a Universidade de
Stanford, Califórnia.
O professor, ingressou na UFPR em 2013, no
DAGA como professor exclusivo na área de
gestão de projetos e Supply Chain. Desde então,
trabalha com pesquisas na área de Supply Chain,
onde as linhas principais temáticas referem-se
ao Supply Chain 4.0 e 4.0. É mestre em Engen-
haria de Produção pela Universidade Estadual
Paulista (Unesp), Doutor em Engenharia de Pro-
dução pela Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar) e Pós-Doc no Centre for Supply Chain
Improvement, pela Universidade de Derby, In-
glaterra. Também já recebeu alguns prêmios in-
Guilherme Francisco Frederico é professor do Departamento de Administração Geral e Aplicada (DAGA) e foi reconhecido pela revista Elsevier
e a Universidade de Stanford
PROFESSORDAUFPRÉLISTADOCOMOUMDOSMAIORESCIENTISTASDOMUNDO
ternacionais na área de publicação científica.
O reconhecimento entre os melhores cientistas
do mundo se dá através de um banco de da-
dos disponível publicamente sobre os cientistas
mais citados em artigos de diferentes posições
de autoria. Os cientistas são classificados em 22
campos científicos e 174 subcampos, de acordo
com a classificação padrão Science-Metrix. E a
seleção se baseia nos 100.000 melhores cientistas
por c-score (com e sem autocitações), classifi-
cando um percentual de 2% ou mais, que foca
no impacto (citações) em vez da produtividade
(número de publicações) e também incorpora
informações sobre coautoria e posições de au-
tores (único, primeiro, ultimo autor).
“É um orgulho levar o nome da nossa querida
instituição UFPR e do Paraná para uma visibili-
dade global, mostrando que é possível no Brasil
desenvolvermos trabalhos e temáticas inéditas,
como nos países mais desenvolvidos” comemo-
rou Guilherme.
Agência de Tecnologia da Informação e Comu-
nicação da UFPR
Por Leonardo Gomes
O JORNAL QUE TEM O QUE FALAR
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azeta
do Santa Cândida
O J O R N A L Q U E T E M O Q U E F A L A R
5
Outubro
2025
Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama
aponta que 37% das brasileiras só conhecem o nódulo
na mama como indicativo de câncer, mas existem out-
ros sintomas relevantes, como alterações na pele e no
formato da mama
22 de outubro de 2025 - O câncer de mama é o tipo de
câncer mais frequente e o que mais mata mulheres em
todo o Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer
(INCA). Apesar disso, dados do Índice de Conscien-
tização sobre o Câncer de Mama 2025, pesquisa en-
comendada pelo Instituto Natura e pela Avon como
parte das entregas do Movimento pelo Cuidado das
Mamas,apontamqueamaioriadas mulheres brasileiras
não está bem informada sobre a doença, sendo que 37%
delas só conhecem o nódulo na mama como possível
indicativo de tumor.
A mastologista Juliana Francisco, consultora médica
da Avon, esclarece que alterações na pele, como ver-
melhidão, inchaço ou aspecto de casca de laranja, e re-
tração, inversão e/ou saída de secreção no mamilo são
possíveis sintomas de câncer de mama, além do nódulo
na região do seio ou da axila. “É essencial conhecer o
próprio corpo e ficar atenta a mudanças para identificar
esses possíveis sintomas, mas isso não exclui a necessi-
dade de fazer a consulta anual com o ginecologista e os
exames de rotina, principalmente a mamografia”, afirma
a especialista.
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda, con-
siderando as características da população brasileira, que
a mamografia seja realizada anualmente a partir dos 40
anosdeidade,quetambémpassouaserarecomendação
do Ministério da Saúde com a atualização anunciada no
final de setembro.
Para quem tem histórico familiar, o rastreio deve
começar dez anos antes do diagnóstico da pessoa da
família que teve câncer (apenas se for parente de 1º
grau), com idade mínima de 30 anos. Havendo sinto-
mas, o exame de mamografia deve ser feito em qualquer
idadeeaté30diasapósopedidomédico,deacordocom
a Lei dos 30 dias - o mesmo prazo vale para a biópsia.
Há alguma forma de prevenir o câncer de mama?
Uma das maiores obras de macrodrenagem recentes da
cidade está em andamento no Santa Cândida, no Rio
Atuba, afluente do Rio Iguaçu, que sofre com o impacto
do crescimento urbano e das chuvas intensas, que au-
mentam o risco de enchentes. Na manhã desta sexta-feira
(24/10), o prefeito Eduardo Pimentel voltou ao canteiro
das obras para acompanhar o avanço dos trabalhos e dis-
cutir as próximas etapas do projeto que, além de prevenir
alagamentos, vai garantir um novo parque para a cidade.
“Aqui no Atuba estamos construindo duas grandes bacias
de contenção que vão ajudar a resolver o problema dos
alagamentos na região norte, na divisa com Colombo
e Pinhais. Além de reter a água da chuva, o local vai se
transformar em um parque com áreas de lazer, ciclovia,
espaço pet e uma grande via-parque”, disse o prefeito
Eduardo Pimentel.
A vistoria técnica foi acompanhada pelo secretário mu-
nicipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, e pela
secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias,
que discutiram com o prefeito os detalhes para a im-
plantação da nova área de preservação e lazer que será
construída no local após a conclusão das intervenções de
macrodrenagem.
Estrutura da obra
As obras em andamento acontecem na Rua Irma Sch-
reiner Maran e incluem a construção de duas bacias de
contenção com capacidade para armazenar 150 mil met-
ros cúbicos de água – o equivalente a 60 piscinas olím-
picas –, além de galerias celulares, rede de drenagem, a
implantação de uma via local de aproximadamente 1.000
metros que dará continuidade à Rua Dário Nogueira dos
Santos (Via Calma) e paisagismo.
O espaço vai unir infraestrutura e sustentabilidade, com a
criação de um parque linear que funcionará como área de
lazer, preservação ambiental e contenção de cheias para
toda a região norte da cidade.
PRO Curitiba
A obra integra o PRO Curitiba — programa que reúne
R$ 6 bilhões em obras estruturantes e sustentáveis para
toda a cidade e beneficiará diretamente os moradores dos
bairros Santa Cândida, Bairro Alto, Bacacheri, Atuba e
Cajuru, além da região metropolitana.
Avanço da obra
NÓDULO NÃO É O ÚNICO SINTOMA DO CÂNCER DE MAMA: MÉDICA
EXPLICA SOBRE DETECÇÃO PRECOCE DA DOENÇA
NOVO "PARQUE ESPONJA"VAI REDUZIR ALAGAMENTO E AUMENTAR A QUALIDADE DE
VIDA NA REGIÃO NORTE DE CURITIBA
O Índice de Conscientização sobre o Câncer de Mama
revelou que 17% das mulheres brasileiras acreditam que
a prática do autoexame é uma forma de reduzir o risco
de desenvolver a doença. Esse dado evidencia uma con-
fusão conceitual importante: conhecer o próprio corpo
e identificar rapidamente alterações é uma estratégia de
detecção precoce, enquanto a redução de risco envolve
medidas que efetivamente diminuem a probabilidade
de surgimento do câncer.
O câncer de mama tem fatores de risco imutáveis -
como o histórico familiar, a menarca precoce e a meno-
pausa tardia -, mas muitos outros estão ligados ao estilo
de vida, como a obesidade, o sedentarismo e o consumo
de álcool, que podem ser alvo de estratégias preventi-
vas para reduzir a probabilidade de desenvolvimento
da doença. “A conscientização a partir de informações
de qualidade é fundamental não só para que as mul-
heres tenham os instrumentos para fazer a detecção
precoce, como também para adotarem hábitos de vida
mais saudáveis importantes para redução dos riscos de
desenvolver a doença e saberem seus direitos caso ne-
Os trabalhos avançaram com a escavação da primeira
bacia de contenção e o início das estruturas de controle
responsáveis pela entrada e saída da água, implantação
dos caminhos de serviço para permitir o acesso e o de-
slocamento seguro das máquinas e equipamentos pesa-
dos usados na obra e da limpeza e preparação do terreno
onde será implantada a segunda bacia de contenção.
Jamur destacou que a intervenção tem como base
soluções inspiradas na natureza para reduzir os impactos
das chuvas intensas.
“É uma obra importante de contenção de cheias do Rio
Atuba, que beneficia toda a região norte da cidade e tam-
bém os municípios vizinhos de Colombo e Pinhais. A
primeira das duas bacias já está bem avançada, com os
canais de entrada e saída do rio em execução. A segunda
está na fase inicial, com drenagem e preparação do solo
para as próximas etapas”, explicou Jamur.
A previsão é concluir o conjunto de obras, de acor-
do com ele, no segundo semestre do próximo
ano. “Estamos trabalhando com muito empenho
para que no verão de 2026/2027, o sistema já es-
teja operando plenamente para minimizar os im-
pactos das cheias na região”, disse o secretário.
Parque linear
Após a conclusão das obras de macrodrenagem,
começam os trabalhos que serão realizados em parceria
com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para im-
plantação do parque linear que vai unir função ambien-
tal e de lazer do local, seguindo o mesmo conceito dos
parques Barigui e Tingui.
Assim como outros parques da cidade, o novo espaço
funcionará como um “parque esponja”, modelo que com-
bina infraestrutura verde e preservação ambiental. Além
da função de contenção de cheias, o parque contará com
bosques nativos, áreas de araucárias preservadas, pistas
de caminhada e ciclovia, quadras esportivas, playgrounds
e espaços de convivência para a população.
“Esse parque vai ter um papel muito importante na
contenção das cheias e na preservação da natureza. Ao
mesmo tempo, será um novo espaço de lazer para as
pessoas, com áreas de esporte, convivência e muitas ar-
aucárias preservadas. É um exemplo de como podem-
os aliar infraestrutura e sustentabilidade”, destacou a
cessitem”, afirma Mariana Lorencinho, líder de Políticas
Públicas de Saúde das Mulheres no Instituto Natura.
Para ajudar a diminuir o risco de câncer de mama, a
mastologista Juliana orienta: “mantenha-se ativa, pra-
tique exercícios regularmente, alimente-se de forma
equilibrada, com muitas frutas e vegetais, evite bebidas
alcoólicas e, se possível, amamente, pois a amamentação
também protege a saúde das mamas”.
Metodologia do Índice de Conscientização
O estudo do Índice de Conscientização sobre o Cânc-
er de Mama foi realizado pela Somatório Inteligência,
a pedido do Instituto Natura e da Avon - que há mais de
22 anos desenvolvem iniciativas em prol da saúde e dos
direitos das mulheres -, e ouviu 2.662 mulheres acima
de 18 anos em todas as regiões do país, com controle de
cotas por faixa etária, classe econômica (sendo que há
subparticipação das classes D e E e devido à não aceit-
ação em participar da pesquisa, na maioria dos casos,
por falta de confiança em falar do assunto), unidades
federativas e porte dos municípios de residência.
secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias.
Ecobarreiras
Durante a visita, o prefeito Eduardo Pimentel conheceu
de perto o projeto da Ecobarreira, e participou de uma
ação de limpeza no Rio Atuba, ao lado do ativista ambi-
ental Diego Saldanha, criador da iniciativa. Instalado em
Colombo, na divisa com Curitiba, ao lado da área que re-
cebe a obra de macrodrenagem, o sistema flutuante retém
resíduos e já impediu que mais de 30 toneladas de lixo
chegassem ao curso do rio.
Saldanha explicou ao prefeito o funcionamento da estru-
tura e destacou a importância das obras de macrodrena-
gem para reduzir alagamentos e melhorar a qualidade
ambiental da região. Segundo o ativista, as obras das
bacias de contenção eram muito aguardadas pela popu-
lação, já que o Rio Atuba costuma transbordar em dias
de chuva intensa. “Com as ecobarreiras faço a minha
parte como cidadão, e agora a Prefeitura está somando
com uma obra que vai reduzir os alagamentos e ainda
criar um espaço de lazer para todos”, afirmou Saldanha.
O erro amostral da pesquisa é de 1.9%, com um nível
de confiança de 95%. As regiões com maior número de
participantes são a Sudeste (43%), Nordeste (26%) e Sul
(15%). Norte e Centro-Oeste são as regiões de residên-
cia de 8%, cada uma, do total de mulheres ouvidas. As
entrevistas aconteceram entre 6 de julho e 10 de agosto
deste ano, metade delas presencialmente e metade por
telefone.
Sobre o Instituto Natura
Criado em 2010, o Instituto Natura almeja transformar
a educação pública, garantindo uma aprendizagem de
qualidade para todas as crianças e jovens nos seis países
da América Latina em que está presente (Argentina,
Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru). Também como
forma de atuação, se dedica ao desenvolvimento educa-
cional das Consultoras de Beleza Natura e Avon e tra-
balha em conjunto com inúmeros parceiros no poder
público, no terceiro setor e na sociedade civil. Desde
2024, o instituto ampliou sua atuação para a defesa dos
direitos fundamentais das mulheres, desenvolvendo
iniciativas voltadas à conscientização sobre o câncer
de mama e ao combate à violência contra meninas e
mulheres por meio do apoio da Avon, que historica-
mente tem sido uma parceira comprometida e continua
apoiando as ações do Instituto Natura nessa causa.
Sobre a Avon
Avon é uma das maiores marcas de beleza do mundo
e pertence à Natura Cosméticos. Há 138 anos, a Avon
tem em sua essência um compromisso com as mul-
heres, promovendo não apenas experiências em beleza
e autocuidado, mas também ações concretas em prol de
sua independência e bem-estar. Presente no Brasil desde
1958, concentra no país sua maior operação. Seu port-
fólio diversificado inclui produtos inovadores e de alta
tecnologia, com marcas mundialmente reconhecidas,
como as linhas de maquiagem Power Stay, Tratamake e
Color Trend, as linhas de cuidados Renew e Avon Care,
além dos perfumes Far Away, Love|U, Attraction, Segno
e 300km/H. Além disso, a marca oferece uma variedade
de itens para Casa & Estilo.
Para obter mais informações sobre a Avon, visite o site:
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Educação ambiental
O prefeito adiantou que, com a conclusão do novo
parque, haverá um acesso para que a população possa
conhecer o projeto de perto, reforçando a importância
da educação ambiental e ações que mobilizem a comuni-
dade no cuidado com os rios.
Realizada em parceria com o Ministério das Cidades, o
investimento na obra será de R$ 26 milhões, com recur-
sos municipais e do Programa de Aceleração do Cresci-
mento (PAC), repassados via Caixa Econômica Federal.
A obra é coordenada pela Secretaria Municipal de Obras
Públicas (Smop) e terá a parceria da Secretaria Municipal
do Meio Ambiente para a implantação da área de lazer.
Presenças
Também estiveram com o prefeito na vistoria o admin-
istrador da Regional Boa Vista, Reinaldo Boaron, os ver-
eadores Renan Ceschin, Serginho do Posto e Hernani,
além das equipes técnicas das secretarias de Obras, Meio
Ambiente e da administração regional.
Foto: Pedro Ribas/SECOM
Prefeito Eduardo Pimentel com o secretário de Obras, Luiz Fernando Jamur, e a secretária do Meio Ambiente, Marilza Dias, vistoria as obras de
construção de bacias de contenção no Rio Atuba, no Santa Cândida, que depois das obras se tornará um novo parque.
azeta
do Santa Cândida
O J O R N A L Q U E T E M O Q U E F A L A R
6 Outubro
2025
O JORNAL QUE TEM O QUE FALAR
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Impasse que se arrasta há anos em Curitiba | Foto: CMC
Moradores da Vila Domitila, em Curitiba,
protocolaram petição junto à Organização
dos Estados Americanos (OEA), para evitar
a remoção. Na sequência, a Comissão Inter-
americana de Direitos Humanos (CIDH)
notificou oficialmente o governo brasileiro.
A comunicação foi encaminhada em 24 de
setembro de 2025 ao ministro das Relações
Exteriores, Mauro Vieira, por meio de ofício
expedido pela Secretaria Executiva da CIDH.
A associação de moradores é representada
pelo advogado André Luiz Perroud Silva de
Oliveira, que acompanha a questão há anos e
estuda o caso no mestrado em sociologia na
Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O imbróglio com a área remonta da déca-
da de 1920, durante a gestão do governador
Caetano Melo da Rocha, que leiloou a região
num evento cujo parente foi vencedor e anos
depois comprou uma parte. Nos anos 1980,
então, o INSS também reivindicou parte da
vila e a disputa se intensificou nos anos 2000.
No ano passado foi apresentada a proposta
de se executar projetos de urbanização e de
habitação de interesse social na área compos-
ta por 23 quadras, com mais de 190 mil met-
ros quadrados, pelo deputado estadual Goura
(PDT). Contudo, a pauta não avançou.
Maisrecentemente,osmoradoresingressaram
com uma ação civil pública proposta pela as-
sociação, na qual o Ministério Público Feder-
al (MPF) deveria ser parte. O que acontece,
todavia, é que, de acordo com o advogado, o
MPF não está se manifestando.
“Ou o MPF propõe a ação civil pública, ou se
O caso, identificado como“Moradores da Vila Domitila”, envolve questionamentos sobre violações de direitos em um processo de remoção de famílias
MORADORESDAVILADOMITILARECORREMÀOEAPORMORADIA
uma associação, como é o nosso caso, entra
com uma ação civil pública, no MPF, ele tem
obrigação legal de ser o Custus Legis. E tudo
começou quando, nessa ação civil pública, al-
gumas Alguns despachos do juízo começaram
a ficar meio estranhos e para mim não fazia
nenhum sentido. Esses despachos em relação
à parte legal mesmo, não tinha muito nexo.
E o Ministério Público Federal, ele simples-
mente se abstinha de se manifestar”, criticou.
Isso ocorreu porque o advogado da asso-
ciação usou a Lei de Acesso à Informação
e identificou interesses de outras partes na
área da Vila, incluindo a Justiça Federal que
planeja incorporar 24 mil metros quadrados
ao prédio atual. Isso, para o representante da
associação, configura conflito institucional de
interesse.
O caso, identificado como “Moradores da
Vila Domitila”, envolve questionamentos
sobre violações de direitos em um processo
de remoção de famílias e foi encaminhado à
Comissão após tramitar em instâncias nacio-
nais.
O Ministério Público Federal afirmou ao Plu-
ral que no que se refere aos terrenos da lo-
calidade conhecida como Vila Domitila, "tais
áreas pertencem ao INSS e que não possui
vínculo com nenhuma delas, com exceção
da Quadra D. Essa quadra foi objeto da Ação
Anulatória nº 900003252-0, movida pelo
INSS, a qual tramitou na 2ª Vara Federal de
Curitiba, que resultou na anulação dos regis-
tros imobiliários anteriormente existentes em
favor de particulares, com a confirmação da
propriedade pública dos imóveis".
Ademais, o MPF explicou que "posterior-
mente, em 30 de dezembro de 2016, a Quadra
D foi transferida pelo INSS para a União, con-
forme Contrato de Compra e Venda referente
ao Processo nº 04905.002321/2016-81. Essa
aquisição fez parte de uma iniciativa do Tri-
bunal de Contas da União".
A nota prossegue detalhando que "em 23 de
fevereiro de 2017, a Secretaria do Patrimô-
nio da União (SPU) entregou o imóvel da
quadra D para uso provisório ao MPF, o qual
passou a preservar e manter a área. Essa área
sob responsabilidade do MPF é de aprox-
imadamente 4.000 m², e não se estende às
demais quadras ou setores da Vila Domitila".
Ademais, o MPF mencionou que "todas as
suas manifestações e atuações nos processos
que envolvem a Vila Domitila ocorreram
dentro dos limites legais e institucionais, em
estrito cumprimento de suas atribuições con-
stitucionalmente estabelecidas. O posicio-
namento jurídico do órgão, na condição de
custos legis, já foi devidamente apresentado
nos autos da Ação Civil Pública relacionada
ao caso".
A Justiça Federal não respondeu aos ques-
tionamentos da reportagem.
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azeta
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7
Outubro
2025
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e 1º Ano em 2022.
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8 Outubro
2025
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